Inicio a minha actividade com uma espécie de repto à última entrada do Alex, pois não é de todo uma temática consensual e não pude de deixar de ficar a pensar nela (que é também um dos grandes objectivos destas publicações).
Numa relação amorosa entre duas pessoas há um constante paradoxo. Por um lado, e citando o Alex, "o máximo possível pra entrarmos na vida de quem realmente gostamos" ou "fazer tudo por tudo para vivermos momentos que fiquem eternamente gravados na memória, conquistar todos os dias quem realmente estimamos", sempre para o bem da relação, correndo o risco de nos esvairmos de individualidade. Por outro lado, nunca perder o fito do bem estar pessoal, sem o qual nenhuma relação pode resultar, pois se não estamos bem nós próprios, então não estamos bem com nada nem ninguém à nossa volta.
Esta contradição leva-nos, em última análise, à velha problemática do "sentido da vida". Uma relação amorosa não deve ser como um serviço de voluntariado, em que o altruísmo é o valor máximo, caso contrário deixa de ser uma relação amorosa (por definição). É, antes, dar e receber, e é necessário estabelecer uma fronteira muito ténue, por vezes muito difícil de discernir, mas crucial, entre o indivíduo e o casal. Quando finalmente se consegue estabelecer essa fronteira atinge-se um equilíbrio que faz dessa linha ténue uma porta de sólida construção, com dobradiças perfeitamente oleadas.
Nada é linear nas relações, por isso são desafios de uma vida. Por isso é que são tão contraditórias. São a riqueza suprema da essência do ser humano, em que o homem e a mulher atingem a sua plenitude. Por isso devem ser vividas em partilha absoluta. Mas também por tudo isto não se deve passar a vida em busca da linearidade inexistente.
Talvez o sentido da vida seja alcançarmos um melhor conhecimento de nós mesmos, para podermos compreender melhor os outros e o mundo à nossa volta, para, no final, conseguirmos estabelecer a tal linha ténue.
Esta foi uma estreia em grande. Primeiro não só porque foste tua a fazê-lo com este tema mas tambem pelo facto de teres inaugurado o blog com o primeiro post do ano. Ano novo, vida nova.
ResponderEliminarQuanto ao texto sou da tua opinião mas o que referiste representa a utopia (pelo menos para mim e para as experiências que tenho tido). A linha ténue que falas tem que ser tecida pelos dois, com imposições e cedencias dos dois lados e para tal é preciso que ambos estejam conscientes e confiar que o que estão a construir é sólido e real.
Isto funciona para namoros, casamentos e amizades. Enquanto nao houver respeito por nós e pelo limite onde acabamos e o outro começa o amor, para mim nao tem esse segnificado, é outra coisa qualquer.
Cumps
Dass devia tar drogado a escrever. Errata:
ResponderEliminar*tu a fazê-lo
*significado